Com
uns 14-15 anos sofri de depressão ou dos meus próprios pensamentos
conturbados. Escrevi uma carta suicida à minha família dizendo os
motivos pelo qual eu faria aquilo. Deixei abraço a eles no final. Isso
aconteceu umas duas ou três vezes. Quando aquele período passou, me
arrependi por, até mesmo, me permitir ter aquele tipo de pensamento.
Nessa fase, acreditava que ninguém se importava com os meus problemas.
Sim, ninguém se importa e isso não se aplica só a mim. Aplica-se também a
você, nós sabemos.
Certa
vez, em um tempo não tão distante, deixei no rascunho do meu celular a
seguinte mensagem – "Vivo desolada porque as pessoas são hipócritas e
fracas de sentimento e só não me rendi à morte por concordar com quem
falou que..." Um cantor, disse em uma música que já havia tentado o
suicídio, mas que não valia a pena, porque o mundo era louco. Você lê
isso e imagina o quê? "Ah, com certeza essa moça não ocupa a mente com
alguma coisa. Se ela vivesse minha vida deixaria dessa desfaçatez." Um
alguém tem toda a razão quando diz que os suicidas foram pessoas que
pensaram muito, por isso cometeram esses atos.
Estou
aqui e não somente por acreditar que não vale a pena, porque não vale
mesmo. Situo-me. Em meio a tudo, sou um projeto de algo inacabado, em
andamento. Você projeta sua mente a acreditar que a vida é boa e ela
parece boa a você no final. Você projeta sua mente à dor e o que te
resta é a morte como refúgio. Somos projeções de pensamentos fundados em
algo que alguém disse, seu pai, sua mãe, seus amigos, um filósofo, um
ninguém. Acreditar no seu potencial é um exercício e tanto ao amor pela
vida e ter amor pela vida é complicado. Ou não. Pense. Desprenda-se. Não
tenha compromisso com a resposta. A vida que você leva vai ser
significante pra alguém no futuro? A minha talvez não, porque acredite
você, eu queria falar sobre paz.