Caminha em direção à cozinha e abre a dispensa. Olha o recipiente de formicida; mas não é formiga para morrer com formicida. E se não é formiga tampouco se sente uma pessoa humana, embora ainda reste um pouco de dignidade humana para morrer como formiga ou inseto.
Não tomará comprimidos. Ingerir comprimidos será um ato por demais inócuo e sem vida. Apanha a faca de corte mais afiado. Cortaria a jugular. Uma forma humana de ser e morrer: o sangue jorrando e extirpando todo o sofrimento que invade sua alma.
Entretanto, não se sente com coragem para realizar um ato tão violento; sempre fora contra todas as formas de violência e não será na hora da morte que assumirá tal posicionamento. Não consegue articularas idéias com precisão. Tudo está nebuloso em sua vida.