4 de outubro de 2013

Relato do caso

Manhã de primavera. Eliane está arrasada. Sua vida perdeu a essência. Tudo parece perdido. A solidão é desesperadora. Apenas há a morte como alternativa. Morrer e acabar de uma vez como sofrimento que a invade. Desespero e dor envolvem a realidade de seu ser. E assim como um ser sem vida própria desde as escadas de sua casa. Desce não apenas do pavilhão superior para a sala, mas também no sentido de embotar a consciência para outras possibilidades existenciais além da morte. Desce. E a cada degrau traz o resquício de sua dor. Pensa em que meio se utilizar para dar fim à vida.
Caminha em direção à cozinha e abre a dispensa. Olha o recipiente de formicida; mas não é formiga para morrer com formicida. E se não é formiga tampouco se sente uma pessoa humana, embora ainda reste um pouco de dignidade humana para morrer como formiga ou inseto.
Não tomará comprimidos. Ingerir comprimidos será um ato por demais inócuo e sem vida. Apanha a faca de corte mais afiado. Cortaria a jugular. Uma forma humana de ser e morrer: o sangue jorrando e extirpando todo o sofrimento que invade sua alma.
Entretanto, não se sente com coragem para realizar um ato tão violento; sempre fora contra todas as formas de violência e não será na hora da morte que assumirá tal posicionamento. Não consegue articularas idéias com precisão. Tudo está nebuloso em sua vida.

26 de agosto de 2013

Projeções

Procurei por alguém que até os dias de hoje, tinha o efeito de fazer com que os meus problemas interiores, sejam eles existenciais ou não, parecessem menores. Sim, todos têm os problemas maiores que os meus. Há a preocupação com a família, a casa, a beleza, o estudo. Coloco-me como a menos importante. Os problemas que tive na adolescência são do desconhecimento de muitas pessoas. Fique aqui, vou contá-los a você.